Por que dipirona é vendida no Brasil, mas proibida nos EUA e em parte da Europa?
G1/BBC - Uma das soluções para aliviar febre e dor, a dipirona sempre figura na lista dos remédios mais vendidos no Brasil.
Mais de 215 milhões de doses deste medicamento foram comercializadas no país apenas em 2022, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Em outras partes do mundo, porém, a realidade é completamente distinta: em lugares como os Estados Unidos e uma parcela da União Europeia, esse fármaco está proibido há décadas.
Por trás do veto da dipirona nesses locais, está uma grande controvérsia sobre um possível efeito colateral grave da medicação:a agranulocitose, uma alteração no sanggue grave e potencialmente fatal marcada pela queda na quantidade de alguns tipos de células de defesa.
Entenda a questão:
- O veto: Além dos EUA, países como Japão, Austrália, Reino Unido e parte da União Europeia também proíbem a comercialização da substância.
- O risco: A agranulocitose reduz drasticamente os glóbulos brancos, o que deixa o organismo vulnerável a infecções. Acredita-se que populações norte-americanas e europeias possam ter maior predisposição ou fatores genéticos a essa reação.
- No Brasil: A Anvisa mantém o fármaco liberado, pois grandes estudos na América Latina apontaram uma incidência muito menor dessa reação no país (cerca de 0,38 casos por milhão de habitantes).